
Ainda aproveitando o embalo do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, que se realizará neste final de semana em Interlagos, trago mais um tema voltado ao marketing esportivo e a sua importância mesmo em um ambiente onde a técnica e as vitórias definem as vendas de uma montadora no dia seguinte.
É este o dilema em que encontra-se hoje a Equipe Honda de Fórmula 1. Com a provável saída de Rubens Barrichello, já fortemente especulada no paddock da categoria, o time de origem nipônica (mas com sede na Inglaterra) e que será apoiado pela Petrobrás em 2009, está vivendo a difícil escolha entre a técnica comprovada e o marketing, para fechar sua dupla de pilotos para a próxima temporada.
Dois pilotos estão sendo cotados para a vaga de companheiro de box de Jenson Button. De um lado o atual piloto de testes da Renault F1, Lucas di Grassi, com carreira sólida no kartismo brasileiro, Fórmula Renault, Fórmula 3, e GP2, tendo sido vice-campeão da categoria em 2007 e terceiro colocado em 2008 (começando a participar do campeonato apenas após a sexta corrida); de outro Bruno Senna, o talentoso sobrinho de nosso tricampeão, porém com uma breve história no automobilismo, incluindo poucas corridas no kart, meia temporada de Fórmula BMW na Europa, além de dois campeonatos de Fórmula 3 Inglesa, e dois na GP2 (vice-campeão no último ano).
Com toda certeza, hoje, Lucas di Grassi é mais preparado para assumir a vaga de piloto oficial da Honda, até por já ter "cursado" um ano completo como piloto de testes na Fórmula 1. Bruno ainda nem fez seu primeiro ensaio.
Mesmo assim, a decisão sobre quem vai ser o dono do cockpit, está seriamente dividida entre o departamento de Marketing o departamento Esportivo da marca.
Di Grassi ou Senna. Competência e técnica comprovada ou talento bruto e nome forte?
Depois de 3 temporadas sofríveis a Honda não tem mais o direito de errar. Investimentos pesados foram feitos na Fórmula 1 com o único objetivo de mostrar excelência de performance e conseqüente retorno no mercado.
Assim, a decisão sobre quem vai pilotar, dificilmente vai se dar apenas sobre o talento, mas quem, no final das contas vai vender mais carros.
É o mercado influindo diretamente no esporte; é o Esporte sendo instrumento de mutação do mercado.
Cabe a Honda agora fazer seus cálculos e definir quem a fará vencer no domingo, e vender na segunda.
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