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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quem vende mais?


Ainda aproveitando o embalo do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, que se realizará neste final de semana em Interlagos, trago mais um tema voltado ao marketing esportivo e a sua importância mesmo em um ambiente onde a técnica e as vitórias definem as vendas de uma montadora no dia seguinte.

É este o dilema em que encontra-se hoje a Equipe Honda de Fórmula 1. Com a provável saída de Rubens Barrichello, já fortemente especulada no paddock da categoria, o time de origem nipônica (mas com sede na Inglaterra) e que será apoiado pela Petrobrás em 2009, está vivendo a difícil escolha entre a técnica comprovada e o marketing, para fechar sua dupla de pilotos para a próxima temporada.

Dois pilotos estão sendo cotados para a vaga de companheiro de box de Jenson Button. De um lado o atual piloto de testes da Renault F1, Lucas di Grassi, com carreira sólida no kartismo brasileiro, Fórmula Renault, Fórmula 3, e GP2, tendo sido vice-campeão da categoria em 2007 e terceiro colocado em 2008 (começando a participar do campeonato apenas após a sexta corrida); de outro Bruno Senna, o talentoso sobrinho de nosso tricampeão, porém com uma breve história no automobilismo, incluindo poucas corridas no kart, meia temporada de Fórmula BMW na Europa, além de dois campeonatos de Fórmula 3 Inglesa, e dois na GP2 (vice-campeão no último ano).

Com toda certeza, hoje, Lucas di Grassi é mais preparado para assumir a vaga de piloto oficial da Honda, até por já ter "cursado" um ano completo como piloto de testes na Fórmula 1. Bruno ainda nem fez seu primeiro ensaio.

Mesmo assim, a decisão sobre quem vai ser o dono do cockpit, está seriamente dividida entre o departamento de Marketing o departamento Esportivo da marca.

Di Grassi ou Senna. Competência e técnica comprovada ou talento bruto e nome forte?

Depois de 3 temporadas sofríveis a Honda não tem mais o direito de errar. Investimentos pesados foram feitos na Fórmula 1 com o único objetivo de mostrar excelência de performance e conseqüente retorno no mercado.

Assim, a decisão sobre quem vai pilotar, dificilmente vai se dar apenas sobre o talento, mas quem, no final das contas vai vender mais carros.

É o mercado influindo diretamente no esporte; é o Esporte sendo instrumento de mutação do mercado.

Cabe a Honda agora fazer seus cálculos e definir quem a fará vencer no domingo, e vender na segunda.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Marketing Esportivo


INTERLAGOS, AO VIVO: Semana de Fórmula 1 em Interlagos, decisão de Felipe Massa contra Lewis Hamilton... é só o que se fala no Brasil.

Por muitas vezes as conversas também abrem espaço para especular sobre quem vai sair da Fórmula 1 em 2009, e quem vai entrar.

Barrichello fica ou sai? Lucas di Grassi e Bruno Senna entram? E quanto a Nelsinho Piquet?

Infelizmente essa conversa de botequim que o brasileiro está acostumado há décadas deve ficar cada vez mais rara, visto que estamos revelando cada vez menos talentos para o Motorsport mundial, e devemos em alguns anos ficar sem nenhum piloto na categoria máxima do automobilismo.

Mas espere..o que o marketing tem a ver com esta história?

Eu respondo: MARKETING É A PEDRA FILOSOFAL NESTA HISTÓRIA, capaz de transformar chumbo em ouro.

Apenas para informação geral:

Automobilismo é, de longe, o esporte mais caro que existe.

Uma temporada em uma categoria de preparação, como a Fórmula 3, não sai por menos de R$ 500.000,00 ao ano.

Isso restringe as coisas, e deixa centenas de potenciais "Ayrton Sennas" chegarem no máximo às pistas de Kart, sem condições de seguir a frente em suas carreiras.

Hoje o automobilismo brasileiro resiste e sobrevive às custas de garotos provenientes de famílias financeiramente privilegiadas, sendo que muitos deles, não têm a menor habilidade ao volante.

VOLTANDO AO MARKETING...

Caso não haja bons profissionais de marketing esportivo do lado dos pilotos, a legião de talentos brasileiros no automobilismo mundial não sobreviverá por muito tempo, não captando o interesse de empresas que venham a financiar seus altos custos.

Então, qual seria a função de um bom profissional de marketing esportivo?

Um bom profissional deve ver as empresas, não como patrocinadoras, mas como parceiras. Deve não apenas ir a uma reunião apresentar um projeto para patrocínio, mas sim estudar a fundo o momento de cada empresa, inserir-se nas suas expectativas, criar alternativas REAIS de interação com a empresa, devolver resultados palpáveis e não apenas o famigerado "retorno de mídia". Entender os conceitos de endomarketing, utilizar seu piloto, equipe ou categoria como instrumento de motivação aos funcionários, clientes e acionistas. Deve ir além, sugerir, criar com antecedência, levar soluções antes de propostas.

Não tenho visto isso hoje em dia. Marketing Esportivo, pelo menos no automobilismo, tem sido praticado a sério por poucos, e abre oportunidade para bons profissionais desenvolverem suas carreiras nesse ramo.

Caso você goste de analisar empresas, e tenha aquele perfil de "jogador de xadrez" que falei em meu último post, fica aí a dica para uma boa especialização.

Marketing Esportivo já! Para o bem do automobilismo, e das conversas de botequim.